sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Os mortos estão vivos

Hoje é um dia de tristeza para muitos, de doces recordações para outros e de enorme indiferença para milhões de pessoas. No ocidente cristão, hoje relembramos aquelas/es que partiram desta vida, os chamados "finados".
 

Para aqueles que abraçaram a filosofia espírita, é um dia especial para rememorarmos positivamente os que partiram do mundo físico antes de nós. A chamada morte é um fato irreversível, todos caminham na direção dela e um dia também teremos que deixar essa carcaça física e ajustarmos as contas com a nossa consciência.

 
Em "O Livro dos Espíritos", Kardec fez a seguinte pergunta:
 

321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?

“Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”

 
Os espíritos desencarnados se comunicam conosco tanto no dia de finados como em qualquer outro dia. Eles atendem ao nosso "chamado" mental, nossas orações. Esse é o ponto de conexão entre as duas dimensões (física e extrafísica) e é isso que os atrai, os nossos pensamentos.

 
Logo em seguida, encontramos outra questão esclarecedora:
 

321.a) - Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas?

“Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”

 
A presença dos espíritos nos cemitérios só é maior no dia de finados porque é maior a quantidade de pessoas que em pensamento os invocam nesta data e local. O aspecto mais importante não é o dia em si mesmo, mas os laços de amizade e simpatia que unem as almas dos que se encontram em outra dimensão com aquelas/es que aqui ainda permanecem.

 
A conclusão que chegamos é que visitar os túmulos dos nossos amigos e entes queridos é um gesto de carinho somente na medida em que estamos em conexão mental com seus espíritos, caso contrário, pode ser apenas um ritualismo exterior e sem conteúdo. Além disso, se a conexão real se dá mentalmente, entre os espíritos (encarnados e desencarnados), a visita aos túmulos se torna secundária diante do amor que vibra em nosso interior e que realiza o verdadeiro tributo aquelas/es que fizeram a grande viagem antes de nós.

 
Dentro da visão de mundo espírita, você é livre para visitar o cemitério ou não, pois o mais importante é o amor, o carinho, a saudade – que não é depressiva – que nos vincula aos espíritos. Assim formamos “teias” de vibração amorosa, luz e simpatia. Claro que podemos e devemos expressar nossos sentimentos de dor e chorar é humano, mas desesperar-se jamais. A filosofia espírita nos esclarece que a morte física não é o fim, mas o começo de uma nova vida e mesmo a ciência, lentamente, vai se aproximando dessa tese.

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