sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Perspectivas Contemporâneas da Teoria Espírita da Reencarnação

CARTA DE SANTOS
 

Os participantes do XXI Congresso Espírita Pan-Americano, da CEPA, que teve como tema central “Perspectivas Contemporâneas da Teoria Espírita da Reencarnação”, realizado na cidade de Santos, São Paulo, Brasil, de 5 a 9 de setembro de 2012, emitem a presente Declaração, a partir de propostas, ideias e conceitos expostos e debatidos no referido evento:


1- As estatísticas demonstram que a crença na reencarnação ou sua aceitação como hipótese científico-filosófica ganha expansão em todos os continentes, independentemente das tradições culturais e religiosas de seus respectivos povos e nações.

 

2- Episódios cada vez mais frequentes de recordações espontâneas de prováveis vidas passadas, especialmente em crianças, assim como o emprego de hipnoses regressivas e experiências mediúnicas acessando presumíveis vidas anteriores à atual existência física, oferecem hoje rico manancial de estudos apto a fornecer suporte fático à teoria reencarnacionista.

 

3- A aceitação da hipótese palingenésica, especialmente a partir da perspectiva racional e filosófica, apoiada em indícios e/ou evidências que se verificam no campo da ciência experimental, vem ao encontro das propostas fundamentais do Espiritismo, enunciadas nas obras básicas de Allan Kardec e em obras complementares de filósofos, cientistas, estudiosos, escritores e pensadores que, depois dele, vêm desenvolvendo a teoria espírita numa perspectiva progressista, laica e livre-pensadora.

4- Como resultado desse sério e fecundo labor, é possível, no presente estágio cultural da Humanidade, apresentar a teoria reencarnacionista espírita como um novo paradigma filosófico e científico a merecer a apreciação, o estudo, o aprofundamento da pesquisa e a aplicação prática em todas as áreas do conhecimento e do agir humano.

5- Para que a teoria espírita da reencarnação possa, efetivamente, ser assimilada como um novo paradigma filosófico e científico, entretanto, será mister oferecê-la à cultura humana, não mais como um artigo de fé religiosa, mas como conhecimento capaz de dotar o indivíduo e a sociedade de responsabilidade pessoal e coletiva sobre o progresso individual e social.

6- Sublinhe-se que, a partir da visão genuinamente espírita, a reencarnação não é um fim em si mesmo. Ao contrário, é um meio idôneo, necessário, insubstituível, inserido em um processo multifacetado, dinâmico, parte integrante que é dos mecanismos da evolução, princípio científico consagrado pela modernidade.

7- À luz da filosofia espírita, a reencarnação pode ser vista como poderoso instrumento de busca da justiça social, reduzindo, progressivamente, as desigualdades e injustiças sociais. Estas jamais devem ser interpretadas como decorrentes de suposta vontade divina, mas como resultado do orgulho, do egoísmo e do desrespeito às leis naturais. A proposta ética espírita combate esses vícios humanos e contribui com a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

8- Diferentemente de antigas crenças, como a da metempsicose, ou de algumas concepções ainda vigentes em doutrinas reencarnacionistas que se dizem inspiradas no cristianismo, no hinduísmo ou em outras concepções religiosas do mundo atual, a palingênese espírita defende que o espírito reencarna para progredir e não para resgatar culpas. Por isso mesmo, a visão reencarnacionista espírita é essencialmente pedagógica, exercendo importante papel na progressiva educação do espírito imortal.

9- Plenamente inseridos nas propostas contemporâneas em favor da preservação dos recursos naturais indispensáveis à vida saudável presente e futura, os espíritas devem envidar constantes esforços em prol de uma teoria espírita reencarnacionista sustentável, apta a contribuir para a conscientização da Humanidade no sentido de evitar o consumismo exagerado e a falsa prosperidade.

10- A visão palingenésica espírita, enfim, liberta o espírito do dogmatismo religioso e de quaisquer posturas sectárias. Construída a partir das propostas contidas na obra de Allan Kardec e de seus interlocutores espirituais, e permanentemente aperfeiçoável pela contribuição progressista e livre-pensadora que resulta do intercâmbio entre a Humanidade encarnada e desencarnada, é, no entender dos espíritas aqui reunidos, eficiente instrumento de autoconhecimento, de educação e de progresso ético individual e coletivo. Afinada com as leis naturais, especialmente com os valores de Justiça, Amor e Caridade, que as sintetiza, a reencarnação, tal como sistematizada na teoria espírita, contém, dessa forma, elementos de convicção científicos, filosóficos e éticos de caráter universal. Graças à sua visão reencarnacionista, fundada na evolução e no progresso, pode o Espiritismo oferecer à Humanidade, nesta quadra da História, um novo paradigma capaz de aproximar culturas e irmanar povos, em favor do Progresso, da Paz e da Fraternidade.

Santos, São Paulo, Brasil, 9 de Setembro de 2012

 

Os mortos estão vivos

Hoje é um dia de tristeza para muitos, de doces recordações para outros e de enorme indiferença para milhões de pessoas. No ocidente cristão, hoje relembramos aquelas/es que partiram desta vida, os chamados "finados".
 

Para aqueles que abraçaram a filosofia espírita, é um dia especial para rememorarmos positivamente os que partiram do mundo físico antes de nós. A chamada morte é um fato irreversível, todos caminham na direção dela e um dia também teremos que deixar essa carcaça física e ajustarmos as contas com a nossa consciência.

 
Em "O Livro dos Espíritos", Kardec fez a seguinte pergunta:
 

321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?

“Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”

 
Os espíritos desencarnados se comunicam conosco tanto no dia de finados como em qualquer outro dia. Eles atendem ao nosso "chamado" mental, nossas orações. Esse é o ponto de conexão entre as duas dimensões (física e extrafísica) e é isso que os atrai, os nossos pensamentos.

 
Logo em seguida, encontramos outra questão esclarecedora:
 

321.a) - Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas?

“Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”

 
A presença dos espíritos nos cemitérios só é maior no dia de finados porque é maior a quantidade de pessoas que em pensamento os invocam nesta data e local. O aspecto mais importante não é o dia em si mesmo, mas os laços de amizade e simpatia que unem as almas dos que se encontram em outra dimensão com aquelas/es que aqui ainda permanecem.

 
A conclusão que chegamos é que visitar os túmulos dos nossos amigos e entes queridos é um gesto de carinho somente na medida em que estamos em conexão mental com seus espíritos, caso contrário, pode ser apenas um ritualismo exterior e sem conteúdo. Além disso, se a conexão real se dá mentalmente, entre os espíritos (encarnados e desencarnados), a visita aos túmulos se torna secundária diante do amor que vibra em nosso interior e que realiza o verdadeiro tributo aquelas/es que fizeram a grande viagem antes de nós.

 
Dentro da visão de mundo espírita, você é livre para visitar o cemitério ou não, pois o mais importante é o amor, o carinho, a saudade – que não é depressiva – que nos vincula aos espíritos. Assim formamos “teias” de vibração amorosa, luz e simpatia. Claro que podemos e devemos expressar nossos sentimentos de dor e chorar é humano, mas desesperar-se jamais. A filosofia espírita nos esclarece que a morte física não é o fim, mas o começo de uma nova vida e mesmo a ciência, lentamente, vai se aproximando dessa tese.